Tratamento de safena sem anestesia geral é possível?
Sim. O tratamento de safena sem anestesia geral já é realidade há mais de trinta anos, graças a uma técnica chamada anestesia tumescente. Ela permite fazer o endolaser de safena com a paciente acordada, sem internação, sem jejum prolongado e com recuperação no mesmo dia — evitando todos os riscos da anestesia geral.

Por que tanta gente tem medo da cirurgia de safena?
O tratamento clássico de safena, durante décadas, significava ir para o centro cirúrgico, dormir sob anestesia geral ou raquianestesia, passar a noite internada e voltar para casa caminhando com dificuldade. Esse cenário assusta — e com razão. A anestesia geral tem seus riscos, exige jejum prolongado, avaliações pré-operatórias mais rigorosas, acompanhamento em ambiente hospitalar e uma recuperação que costuma ser lenta.
O resultado é previsível: muitas pessoas com indicação clara de tratamento convivem com dor, peso nas pernas, inchaço, varizes cada vez mais grossas e, com o tempo, até feridas na pele — só porque o medo da anestesia geral e da internação é maior do que o desconforto das varizes. Mas hoje esse medo é infundado: o tratamento de safena sem anestesia geral já é padrão em clínicas especializadas em angiologia, como a AngioGold em Belo Horizonte.
O que é a anestesia tumescente
A técnica que torna o tratamento de safena sem anestesia geral possível se chama anestesia tumescente. O nome vem da palavra “tumescer”, que significa inchar. Resumindo em uma frase: o médico injeta, ao longo do trajeto da safena, um grande volume de uma solução bem diluída de anestésico local — deixando toda a região temporariamente inchada (tumefeita) e completamente dormente.
Essa solução é composta por quatro ingredientes simples:
- Soro fisiológico em grande volume (o que dilui tudo e permite usar muito anestésico sem passar o limite seguro no sangue)
- Lidocaína, o anestésico local mais conhecido e usado no mundo, na concentração de apenas 0,09% (cerca de dez vezes mais diluída do que a usada em uma anestesia odontológica comum)
- Adrenalina em concentração baixíssima, para fechar temporariamente os vasinhos ao redor e fazer o anestésico agir mais tempo na região
- Bicarbonato de sódio, que diminui o ardor na hora da aplicação, tornando o procedimento confortável
Essa mistura é injetada com uma agulha muito fina ao redor da safena, guiada por ultrassom. A região fica anestesiada em segundos e a paciente permanece acordada, conversando com a equipe médica, durante todo o procedimento.
Uma técnica criada há 35 anos e validada pela ciência
A anestesia tumescente não é uma moda nem algo experimental. Ela foi criada em 1987 pelo dermatologista norte-americano Dr. Jeffrey Klein, originalmente para lipoaspiração sem anestesia geral. Desde então, a técnica se expandiu para diversas cirurgias vasculares — incluindo o endolaser de safena — e acumula décadas de uso seguro ao redor do mundo.
Em 2016, o próprio Dr. Klein e o estatístico Daniel Jeske publicaram o estudo “Estimated Maximal Safe Dosages of Tumescent Lidocaine” na revista Anesthesia & Analgesia, confirmando com medições laboratoriais rigorosas que as doses usadas na prática são até quatro vezes menores do que o limite de segurança.
Esse é o alicerce científico do tratamento de safena sem anestesia geral que oferecemos na AngioGold.
Como funciona o tratamento de safena sem anestesia geral passo a passo
Na prática, o procedimento é bem diferente do que a maioria das pessoas imagina. Veja como é um dia típico de tratamento de safena na AngioGold:
1. Preparação simples
A paciente chega à clínica alimentada normalmente (sem jejum prolongado), com roupa confortável e acompanhada de alguém da família. O Dr. Cadu conversa, confirma o plano cirúrgico e faz um mapeamento da safena com ultrassom doppler no próprio consultório.
2. Posicionamento e assepsia
A paciente deita na maca, a perna é higienizada com antisséptico e coberta com campos cirúrgicos estéreis. Tudo acontece dentro da própria clínica, não há necessidade de centro cirúrgico hospitalar.
3. Aplicação da anestesia tumescente
O médico insere uma agulha fina ao longo do trajeto da safena e injeta a solução tumescente. A sensação é apenas da primeira picada (como um exame de sangue) — depois disso, a região fica totalmente dormente. O bicarbonato da solução evita ardor, e em poucos minutos a perna está pronta para o procedimento.
4. Endolaser da safena
Com a região já anestesiada, é introduzida uma fibra óptica fininha dentro da veia safena, guiada por ultrassom. O laser emite energia que faz a parede da veia se fechar de dentro para fora, eliminando a veia doente sem cortes, sem pontos e sem necessidade de arrancá-la como nas cirurgias antigas.
5. Alta no mesmo dia
Terminado o procedimento, a paciente levanta da maca, calça uma meia elástica de compressão e caminha normalmente pela clínica. Em menos de uma hora após o fim do procedimento, ela já vai embora para casa — acordada, lúcida, sem dor e sem vestígios de anestesia geral.
Por que o tratamento de safena sem anestesia geral é seguro
A segurança da técnica se apoia em três pilares que foram confirmados por décadas de estudos científicos e milhões de procedimentos ao redor do mundo:
- A lidocaína usada é muito diluída — cerca de dez vezes mais fraca que a lidocaína usada no dentista, o que permite aplicar grandes volumes sem que o anestésico suba demais na corrente sanguínea
- A adrenalina retarda a absorção — ela fecha os vasinhos ao redor, fazendo o anestésico liberar para o sangue de forma muito lenta, ao longo de 12 a 24 horas
- As doses usadas estão bem abaixo do limite — o estudo de Klein e Jeske (2016) mediu os níveis de lidocaína no sangue de 14 voluntários ao longo de 24 horas e confirmou que a dose praticada é segura com margem enorme
Importante: a segurança depende de quem aplica. A técnica tumescente exige conhecimento da anatomia venosa, cálculo correto da dose pelo peso da paciente e experiência no uso do ultrassom para guiar a aplicação. Por isso o tratamento de safena sem anestesia geral deve ser feito apenas por médicos angiologistas ou cirurgiões vasculares com treinamento específico. Saiba mais na página do Dr. Carlos Eduardo Jorge.
O que a paciente sente durante o procedimento
Essa é a pergunta que mais recebemos no consultório. A resposta costuma surpreender:
- Primeira picada da agulha: sensação rápida, parecida com uma coleta de sangue comum
- Entrada da solução tumescente: leve pressão e sensação de frio na perna (a solução é fria propositalmente)
- Durante o endolaser: nada. Sem dor, sem calor, sem incômodo — a região está completamente anestesiada
- Emocionalmente: a paciente conversa normalmente com a equipe, ouve música se quiser e pode até assistir o procedimento pelo ultrassom
Muitas pacientes relatam que a parte mais difícil foi o medo antes, não o procedimento em si. É comum ouvirmos: “se eu soubesse que era assim, teria feito há muito tempo”.
Vantagens do tratamento de safena sem anestesia geral
Comparando com a cirurgia tradicional de safena sob anestesia geral ou raquianestesia, as diferenças são enormes:
- Sem riscos da anestesia geral (reações alérgicas, queda de pressão, complicações respiratórias, alteração de consciência prolongada)
- Sem jejum longo — a paciente se alimenta normalmente antes do procedimento
- Sem internação hospitalar — tudo acontece em consultório ambulatorial
- Sem cortes grandes — apenas puncturas de agulha, sem pontos visíveis
- Sem necessidade de acompanhamento intensivo pós-procedimento
- Volta às atividades em poucos dias, não em semanas
- Custo total menor, já que dispensa centro cirúrgico hospitalar, anestesista dedicado e diária de internação
- Permite tratar pacientes idosos ou com comorbidades que antes eram considerados “pacientes de risco” para anestesia geral
Quando o tratamento de safena sem anestesia geral não é indicado
Ser honesto com o paciente é parte do nosso trabalho. A técnica tumescente é uma excelente solução para a maioria dos casos, mas não é para todo mundo. Situações em que outras abordagens podem ser mais adequadas:
- Pacientes com alergia conhecida à lidocaína ou a outros anestésicos do grupo
- Pessoas que usam medicamentos que diminuem o metabolismo hepático da lidocaína (alguns antibióticos como eritromicina e ciprofloxacino, antifúngicos como fluconazol, entre outros)
- Casos muito extensos ou complexos, com múltiplas safenas grossas em ambas as pernas ao mesmo tempo, em que o volume total da solução excederia o limite seguro
- Pacientes com histórico de ansiedade severa que não se sentem confortáveis estando acordadas durante o procedimento
- Situações clínicas que exijam o uso de outros medicamentos incompatíveis
Nesses casos, o Dr. Cadu avalia cada situação individualmente e discute com a paciente as alternativas — que podem incluir tratamento dividido em mais de uma sessão, associação com sedação leve ou, em casos realmente complexos, indicação de centro cirúrgico. A decisão é sempre compartilhada.
Conclusão: a era da cirurgia de safena como bicho de sete cabeças já acabou
O tratamento de safena sem anestesia geral deixou de ser promessa e virou padrão na angiologia moderna. A técnica tumescente, aliada ao endolaser e à avaliação com ultrassom doppler, permite oferecer um tratamento seguro, eficaz, ambulatorial e muito mais confortável do que a cirurgia tradicional.
Se você vem adiando o tratamento das suas varizes ou da sua safena por medo da anestesia geral, da internação ou do afastamento do trabalho, esse medo é baseado em uma realidade que já ficou no passado. Hoje é possível cuidar da saúde das suas pernas em uma única visita à clínica, voltar para casa caminhando e retomar suas atividades em poucos dias.
Referência científica
Klein JA, Jeske DR. Estimated Maximal Safe Dosages of Tumescent Lidocaine. Anesthesia & Analgesia. 2016;122(5):1350–1359. DOI: 10.1213/ANE.0000000000001119
Quer saber se você pode fazer o tratamento de safena sem anestesia geral?
Na Clínica AngioGold, no bairro Belvedere em Belo Horizonte, o Dr. Carlos Eduardo Jorge avalia cada caso individualmente e oferece o endolaser de safena com anestesia tumescente — procedimento ambulatorial, seguro e confortável.