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Tratamento de Varizes: O Que Dizem as Novas Diretrizes Médicas de 2023?

O tratamento de varizes evoluiu muito, e para garantir que você receba o cuidado mais seguro e eficaz, sociedades médicas internacionais publicam diretrizes baseadas nas melhores evidências científicas. Recentemente, em 2023, um novo e robusto guia foi lançado pela Sociedade de Cirurgia Vascular (SVS) em conjunto com o Fórum Venoso Americano (AVF). Neste artigo, vamos traduzir essas recomendações complexas para uma linguagem clara e acessível, mostrando o que há de mais moderno e seguro no tratamento de varizes. Nosso objetivo é que você se sinta mais seguro(a) e informado(a) para conversar com seu angiologista e tomar as melhores decisões para a sua saúde.

tratamento de varizes: imagem ilustrativa — AngioGold
Imagem ilustrativa sobre varizes — AngioGold.

Por Que as Novas Diretrizes para o Tratamento de Varizes São Tão Importantes?

Quando falamos em saúde, especialmente em áreas que mudam rapidamente como a cirurgia vascular, é fundamental que as decisões não sejam baseadas em achismos ou práticas antigas. É aqui que entram as diretrizes clínicas (ou guidelines). Elas são como um mapa, criado pelos maiores especialistas do mundo, que aponta os caminhos mais seguros e com maior chance de sucesso para o tratamento de varizes.

Essas novas diretrizes de 2023 são o resultado de uma revisão completa de centenas de estudos científicos. Elas organizam as informações e dão “notas” para cada recomendação, baseadas na força da evidência. Isso significa que, ao seguir essas orientações, seu médico está oferecendo um cuidado alinhado com o que a ciência tem de melhor no momento.

Entendendo a Classificação CEAP

Para padronizar o diagnóstico e o planejamento do tratamento, os médicos usam um sistema chamado CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia, Fisiopatologia). De forma simplificada, ele classifica a doença venosa em estágios:

  • C1: Presença de vasinhos (telangiectasias) ou microvarizes (veias reticulares).
  • C2: Varizes propriamente ditas, aquelas veias dilatadas e tortuosas com mais de 3 mm de diâmetro.
  • C3: Inchaço (edema) nas pernas.
  • C4: Alterações na pele, como escurecimento (dermatite ocre) e endurecimento (lipodermatoesclerose).
  • C5: Úlcera venosa cicatrizada.
  • C6: Úlcera venosa ativa (ferida aberta).

Saber em qual estágio você se encontra é o primeiro passo para um tratamento de varizes individualizado e adequado. As diretrizes focam principalmente nos pacientes em estágio C2 (varizes visíveis), que é quando a maioria das pessoas busca ajuda por desconforto, dor, peso nas pernas ou preocupação estética. Um diagnóstico correto, portanto, é a base de todo o processo, garantindo que o tratamento de varizes seja direcionado para a real causa do problema e não apenas para seus sintomas.

O Diagnóstico Preciso: O Papel Essencial do Eco Doppler Vascular

Antes de iniciar qualquer tratamento de varizes, é indispensável entender exatamente o que está acontecendo com suas veias. As novas diretrizes reforçam, com forte recomendação, que o Eco Doppler vascular (também chamado de Duplex Scan) é o exame de escolha para avaliar a saúde das veias das pernas. Ele não é apenas uma “foto”, mas um filme que mostra o sangue fluindo em tempo real.

O principal objetivo do exame é identificar o “refluxo venoso”. Em veias saudáveis, o sangue flui apenas em uma direção: de volta para o coração. Válvulas dentro das veias impedem que o sangue retorne para os pés por causa da gravidade. Quando essas válvulas falham, o sangue volta e se acumula nas pernas – isso é o refluxo. As diretrizes definem refluxo patológico como um fluxo reverso que dura mais de 500 milissegundos (meio segundo) nas veias superficiais, como a veia safena.

Por que o exame é feito em pé?

Uma recomendação importante é que o Eco Doppler para refluxo seja feito com o paciente em pé sempre que possível. Nessa posição, a gravidade atua sobre o sangue, tornando mais fácil para o médico identificar as válvulas que não estão funcionando corretamente. É durante esse exame detalhado que o angiologista mapeia todo o sistema venoso, identificando a origem do problema e planejando o melhor tratamento de varizes para o seu caso específico.

Observação clínica: As diretrizes são claras ao afirmar que, para pacientes com apenas vasinhos (classe C1) e sem sintomas significativos, a realização rotineira do Eco Doppler não é recomendada. Isso evita a indicação de procedimentos desnecessários em veias importantes, como a safena, que podem ser úteis no futuro para outras cirurgias.

Um diagnóstico detalhado é a pedra angular de um tratamento de varizes bem-sucedido. Ele permite que o especialista atue diretamente na causa do problema, seja uma veia safena insuficiente, veias perfurantes ou outras tributárias, garantindo um resultado mais duradouro e eficaz. Portanto, desconfie de propostas de tratamento que não são precedidas por uma avaliação cuidadosa com Eco Doppler.

Opções Conservadoras: Meias e Medicamentos no Tratamento de Varizes

Nem todo tratamento de varizes envolve um procedimento. As abordagens conservadoras, como o uso de meias de compressão e medicamentos, têm seu papel, e as novas diretrizes esclarecem exatamente quando e como devem ser utilizadas.

Meias de Compressão: Quando são indicadas?

As meias elásticas de compressão graduada são velhas conhecidas no manejo dos sintomas venosos. Elas funcionam aplicando uma pressão externa nas pernas, que ajuda a apertar as veias, melhorar o retorno do sangue e diminuir o inchaço e a sensação de peso. As diretrizes sugerem seu uso nas seguintes situações:

  • Como tratamento principal para pacientes com varizes sintomáticas que não podem ou não desejam realizar um procedimento invasivo.
  • Para alívio dos sintomas enquanto o paciente aguarda pelo tratamento definitivo.
  • No pós-procedimento (por exemplo, após a ablação a laser), por no mínimo uma semana, pois estudos mostram que elas ajudam a reduzir a dor e o desconforto.

No entanto, um ponto importante destacado é que, para pacientes que são bons candidatos a um procedimento, a intervenção (como laser ou espuma) é superior ao uso de meias de compressão a longo prazo. Além disso, a exigência de alguns planos de saúde de um “período de teste” de 3 meses com meias antes de autorizar o tratamento de varizes não possui forte evidência científica que a justifique. A decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente.

Medicamentos Venoativos (Flebotônicos)

Existem medicamentos, chamados venoativos ou flebotônicos, que podem auxiliar no tratamento de varizes, focando principalmente no alívio dos sintomas. Eles atuam melhorando o tônus da parede da veia, reduzindo a inflamação local e a permeabilidade dos capilares. As diretrizes mencionam alguns compostos com evidências moderadas de benefício para sintomas como:

  • Dor
  • Sensação de peso nas pernas
  • Cãibras noturnas
  • Sensação de inchaço

Os mais estudados são a Fração Flavonoide Purificada Micronizada (MPFF) e os extratos de Ruscus. É crucial entender que esses medicamentos são adjuvantes: eles melhoram a qualidade de vida, mas não corrigem o refluxo nem fazem as varizes desaparecerem. Portanto, são uma ótima ferramenta para quem aguarda um procedimento ou para quem continua com sintomas residuais, mas não substituem o tratamento de varizes definitivo quando este é indicado.

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Conteúdo educativo sobre varizes — AngioGold.

Tratamentos Modernos e Minimamente Invasivos: O Fim da Cirurgia Convencional?

A maior revolução no tratamento de varizes nas últimas décadas foi, sem dúvida, o desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas. As diretrizes de 2023 consolidam essa mudança, posicionando esses métodos como a primeira linha de tratamento para a maioria dos casos de insuficiência de veias safenas.

A recomendação é forte e clara: para pacientes com varizes sintomáticas e refluxo na veia safena magna ou parva, os tratamentos endovenosos (feitos por dentro da veia) são preferíveis à cirurgia convencional de retirada da veia (safenectomia com ligadura alta e extração, ou stripping).

Ablação Térmica vs. Não Térmica: Qual a diferença?

Os tratamentos endovenosos modernos buscam fechar a veia doente por dentro, sem a necessidade de arrancá-la. O corpo, então, naturalmente desvia o sangue para as veias saudáveis e absorve a veia tratada ao longo do tempo. Existem duas grandes categorias:

  • Ablação Térmica: Utiliza calor para fechar a veia. Os principais métodos são o Endolaser (EVLA) e a Radiofrequência (RFA). Na AngioGold, utilizamos a mais avançada tecnologia de laser, o Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm, que oferece alta precisão e segurança.
  • Ablação Não Térmica: Não utiliza calor. Os métodos mais conhecidos são a Escleroterapia com Espuma (UGFS), a Cola de Cianoacrilato (VenaSeal) e a Ablação Mécano-Química (MOCA).

As diretrizes afirmam que, para a veia safena, tanto as técnicas térmicas quanto as não térmicas são eficazes. A escolha entre elas depende da experiência do médico, da anatomia da veia do paciente e da preferência compartilhada. Essa variedade de opções permite um tratamento de varizes altamente personalizado.

A cirurgia convencional ainda tem seu lugar? Sim. As diretrizes reconhecem que a cirurgia de extração da safena ainda é uma opção válida quando as tecnologias endovenosas não estão disponíveis ou quando a anatomia da veia (muito tortuosa ou superficial) impede um tratamento por cateter. O importante é que a indicação seja feita por um especialista qualificado.

A era do tratamento de varizes com longos períodos de repouso, dor intensa e grandes cicatrizes ficou para trás. Os métodos modernos, realizados muitas vezes no próprio consultório (ambiente conhecido como office-based), permitem um retorno rápido às atividades diárias, com mais conforto e excelentes resultados estéticos e funcionais. Para entender mais sobre as opções de tratamento para varizes, consulte um especialista.

Escleroterapia e Tratamento de "Raminhos": O Que Fazer com as Veias Menores?

Um tratamento de varizes completo não aborda apenas as grandes veias, como a safena. Ele também precisa cuidar das veias visíveis menores, que muitas vezes são a principal queixa estética e de desconforto do paciente. As diretrizes trazem recomendações específicas para cada tipo de veia.

Vasinhos (Telangiectasias) e Microvarizes (Veias Reticulares)

Para os famosos “vasinhos” (menores que 1 mm) e as microvarizes (veias azuladas de 1 a 3 mm), as diretrizes recomendam fortemente a escleroterapia. Popularmente conhecida como “aplicação” ou “secagem de vasinhos”, a técnica consiste em injetar uma substância esclerosante (líquida ou em forma de espuma) diretamente na veia, causando uma irritação controlada que leva ao seu fechamento e posterior absorção.

Outra opção sugerida, especialmente em casos de fobia a agulhas, alergia ao esclerosante ou para tratar a “rede” de vasinhos muito finos (matting), é o laser transdérmico. O laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm, por exemplo, emite uma luz que é absorvida pelo sangue, gerando calor e fechando o vaso sem a necessidade de perfurar a pele. Muitas vezes, a combinação de escleroterapia e laser transdérmico (técnica CLaCS) oferece os melhores resultados.

Varizes Tributárias (os “galhos” visíveis)

As varizes que saltam na pele, parecendo “galhos” ou “cordões”, são chamadas de tributárias. Elas podem estar ligadas a uma safena doente ou serem um problema isolado. O tratamento de varizes tributárias pode ser feito de duas formas principais, ambas recomendadas pelas diretrizes:

  • Microcirurgia (Flebectomia Ambulatorial): Através de microincisões (1-2 mm), o cirurgião vascular utiliza um gancho delicado para remover os segmentos de veia doentes. As incisões são tão pequenas que geralmente não precisam de pontos e as cicatrizes são praticamente imperceptíveis.
  • Escleroterapia com Espuma Guiada por Ultrassom: Uma espuma densa é injetada na veia varicosa, guiando-se pelo ultrassom para garantir a precisão. A espuma preenche todo o vaso, deslocando o sangue e tratando veias mais calibrosas e tortuosas que seriam difíceis de tratar com líquido.

Uma prática comum e recomendada é realizar o tratamento das tributárias na mesma sessão da ablação da veia safena. Isso otimiza o resultado, resolve o problema de forma mais completa em um único tempo e melhora a satisfação do paciente, que vê um resultado estético e funcional mais rápido. Um tratamento de varizes eficaz é aquele que considera o sistema venoso como um todo.

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Conteúdo educativo sobre varizes — AngioGold.

Dúvidas Comuns e Mitos Sobre o Tratamento de Varizes

As novas diretrizes ajudam a esclarecer muitas dúvidas e a derrubar mitos que ainda cercam o tratamento de varizes. Vamos abordar alguns dos pontos mais importantes baseados no consenso dos especialistas.

Mito 1: “Se a veia não for grossa, não precisa tratar.”

Realidade: As diretrizes sugerem que o diâmetro da veia, por si só, não deve ser o único fator para decidir sobre a necessidade de tratamento. Pacientes com veias de menor calibre, mas com refluxo e sintomas significativos (dor, peso, queimação), se beneficiam igualmente do tratamento. O foco deve ser a melhora da qualidade de vida e dos sintomas, não apenas o tamanho da veia no ultrassom.

Mito 2: “Tratar varizes é apenas estético.”

Realidade: Embora a aparência seja uma queixa comum, as varizes são uma condição médica (Doença Venosa Crônica). O tratamento de varizes sintomáticas melhora drasticamente a qualidade de vida, alivia a dor e o desconforto e pode prevenir complicações como flebite, manchas na pele e até úlceras. É importante diferenciar a dor venosa de outras condições, como o lipedema, que exigem abordagens diferentes.

Mito 3: “O tratamento de varizes só pode ser feito em hospital.”

Realidade: Um dos grandes avanços é a possibilidade de realizar a maioria dos procedimentos modernos em ambiente de consultório (office-based) ou clínica especializada. As diretrizes confirmam que essa prática é segura, eficaz e, muitas vezes, mais confortável e com menor custo para o paciente, sem a necessidade de internação hospitalar para a maioria dos casos de tratamento de varizes.

Mito 4: “Se a veia safena estiver doente, ela precisa ser totalmente removida.”

Realidade: O conceito de “preservação da safena” vem ganhando espaço. Técnicas como o ASVAL (ablação seletiva de varizes) e o CHIVA focam em tratar as tributárias para descomprimir a safena, podendo reverter o refluxo em alguns casos. Além disso, mesmo nos tratamentos de ablação, muitas vezes apenas o segmento doente da veia é tratado, preservando as partes saudáveis. A decisão por um tratamento radical ou conservador depende de uma análise hemodinâmica detalhada e da experiência do especialista no tratamento de varizes.

E sobre os riscos e complicações?

Nenhum procedimento é 100% isento de riscos, mas as técnicas modernas são extremamente seguras. Uma complicação rara, mas discutida, é a extensão de trombo relacionada à ablação (ARTE). As diretrizes trazem recomendações claras sobre como prevenir, diagnosticar e manejar essa situação, que ocorre em uma pequena porcentagem dos casos. A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima. A melhor forma de garantir um resultado seguro e eficaz é procurar um cirurgião vascular membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) para realizar seu tratamento de varizes.

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Conteúdo educativo sobre varizes — AngioGold.
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Conteúdo educativo sobre varizes — AngioGold.

Referências

Gloviczki P, Lawrence PF, Wasan SM, et al. The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024;12:101670.

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Marsden G, Perry M, Bradbury A, et al. A cost-effectiveness analysis of surgery, endothermal ablation, ultrasound-guided foam sclerotherapy and compression stockings for symptomatic varicose veins. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2015;50:794-801.

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