Tratamento da Veia Safena: Uma Análise Completa das Opções Modernas (Laser, Cola, Cirurgia e Mais)
O tratamento da veia safena evoluiu drasticamente nas últimas décadas. Se antes a única opção era uma cirurgia invasiva com um pós-operatório desafiador, hoje o cenário é completamente diferente. Com o avanço da tecnologia, surgiram métodos minimamente invasivos que permitem tratar o problema de forma eficaz, segura e com uma recuperação muito mais rápida. Mas, com tantas opções — laser, radiofrequência, cola, espuma, cirurgia convencional —, como saber qual é a mais indicada para você? Este guia completo, baseado em uma extensa revisão de estudos científicos, vai esclarecer suas dúvidas e mostrar os caminhos para um tratamento de sucesso.

O que é o refluxo da veia safena e por que tratá-lo?
Antes de mergulharmos nas opções de tratamento, é fundamental entender o problema. As veias safenas (temos a magna, na parte interna da perna, e a parva, na parte de trás) são duas das principais veias superficiais dos membros inferiores. Elas possuem válvulas que funcionam como comportas, garantindo que o sangue flua em um único sentido: para cima, de volta ao coração.
Quando essas válvulas perdem sua função e não fecham corretamente, o sangue começa a fluir na direção errada, um fenômeno chamado de refluxo venoso. Esse sangue “represado” aumenta a pressão dentro das veias, causando dilatação e uma série de problemas que conhecemos como doença venosa crônica. O refluxo na safena é uma das causas mais comuns do surgimento de varizes grossas e saltadas, mas os sintomas vão além da estética.
Sinais e sintomas associados ao refluxo da safena
A insuficiência da veia safena pode se manifestar de várias formas, e ignorar os sinais pode levar a complicações mais sérias. Fique atento a:
- Varizes e vasinhos: O sinal mais visível, resultante da dilatação das veias.
- Dor e sensação de peso: Especialmente no final do dia ou após longos períodos em pé ou sentado.
- Inchaço (edema): Principalmente nos tornozelos e pés.
- Cansaço e fadiga nas pernas: Uma sensação de pernas “pesadas”.
- Câimbras noturnas: Comuns em quem tem doença venosa avançada.
- Alterações na pele: Em fases mais avançadas, a pele pode ficar escurecida (dermatite ocre), ressecada, e até mesmo levar à formação de feridas de difícil cicatrização (úlceras venosas).
Portanto, o tratamento da veia safena não é apenas uma questão de aparência. É uma medida essencial para restaurar a qualidade de vida, aliviar os sintomas e prevenir a progressão da doença. O primeiro passo é sempre uma avaliação detalhada com um cirurgião vascular, que utilizará o Eco-Doppler vascular para mapear suas veias, confirmar o refluxo e determinar a melhor abordagem para o seu tratamento da veia safena.
A cirurgia convencional: o método tradicional de tratamento da veia safena
Por muito tempo, a única opção para o tratamento da veia safena doente era a cirurgia convencional, conhecida tecnicamente como safenectomia. Este procedimento serviu como o “padrão-ouro” por décadas e ainda tem seu lugar em casos específicos, mas é importante conhecer suas características.
Como funciona a safenectomia?
A cirurgia convencional consiste na remoção física da veia safena doente. O procedimento geralmente envolve:
- Uma incisão na virilha para ligar a veia safena no seu ponto de encontro com o sistema venoso profundo (junção safeno-femoral).
- Uma segunda incisão, geralmente perto do tornozelo ou joelho.
- A introdução de um cabo flexível (chamado de fleboextrator) por dentro da veia.
- A veia é então amarrada ao cabo e arrancada (stripping).
Este método é eficaz para eliminar o refluxo, já que a fonte do problema é removida. No entanto, por ser mais invasivo, ele apresenta algumas desvantagens que motivaram a busca por alternativas.
Pontos de atenção na cirurgia convencional: A safenectomia geralmente requer anestesia raquidiana ou geral, internação hospitalar, e um período de recuperação mais longo, com mais dor, hematomas e necessidade de repouso. Além disso, as incisões resultam em cicatrizes permanentes.
Apesar de sua eficácia comprovada, o perfil de recuperação e a natureza invasiva da cirurgia fizeram com que a comunidade médica buscasse formas menos agressivas de realizar o tratamento da veia safena. É nesse contexto que surgem as técnicas endovenosas, que revolucionaram a flebologia moderna e hoje são consideradas a primeira linha de tratamento na maioria dos casos. Mesmo sendo um método mais antigo, entender a cirurgia convencional é importante para apreciar os avanços que as novas tecnologias trouxeram para o tratamento da veia safena.
Tratamentos endovenosos: a revolução minimamente invasiva
A grande virada de chave no tratamento da veia safena veio com as técnicas endovenosas. O conceito é simples e engenhoso: em vez de arrancar a veia, por que não tratá-la por dentro, sem a necessidade de grandes cortes?
Os procedimentos endovenosos consistem em inserir uma fina fibra ou cateter dentro da safena doente, guiado por ultrassom. Uma vez posicionada, essa fibra entrega algum tipo de energia ou substância que causa o fechamento da veia. O corpo, então, naturalmente desvia o fluxo sanguíneo para outras veias saudáveis e, com o tempo, absorve a veia tratada. Este é o princípio por trás do moderno tratamento da veia safena.
Vantagens gerais das técnicas endovenosas
- Minimamente invasivas: Geralmente requerem apenas uma pequena punção na pele, sem necessidade de cortes ou pontos.
- Anestesia local: A maioria dos procedimentos é feita com anestesia local tumescente (injeção de soro anestésico ao redor da veia), tornando-os mais seguros e confortáveis.
- Sem internação: O paciente realiza o procedimento e volta para casa no mesmo dia.
- Recuperação rápida: O retorno às atividades diárias e ao trabalho é muito mais rápido em comparação com a cirurgia convencional.
- Menos dor e hematomas: O trauma nos tecidos é significativamente menor.
- Resultados estéticos superiores: Ausência de grandes cicatrizes.
Essas técnicas podem ser divididas em duas grandes categorias, baseadas no mecanismo que usam para fechar a veia:
1. Técnicas Térmicas: Utilizam calor para causar a ablação (fechamento) da veia. As mais consagradas são:
- Laser Endovenoso (EVLA): Usa a energia da luz para aquecer e fechar a veia.
- Radiofrequência (RFA): Usa ondas de rádio para gerar calor e selar a parede da veia.
2. Técnicas Não-Térmicas: Não utilizam calor, o que elimina o risco de lesão térmica nos nervos próximos e, em alguns casos, dispensa a necessidade de múltiplas injeções de anestesia tumescente. As principais são:
- Cianoacrilato (Cola): Um adesivo médico é injetado na veia para colá-la por dentro.
- Ablação Mecanoquímica (MOCA): Um cateter giratório danifica a parede interna da veia enquanto injeta um agente esclerosante.
A escolha entre essas abordagens define o caminho para um tratamento da veia safena personalizado e de alta performance. Cada uma tem suas particularidades, indicações e resultados, como veremos a seguir com base nas evidências científicas mais recentes.

O Laser Endovenoso (EVLA) no tratamento da veia safena: o que a ciência diz?
O laser endovenoso, ou EVLA (Endovenous Laser Ablation), foi um dos pioneiros nas técnicas minimamente invasivas e continua sendo uma das opções mais populares e bem-sucedidas para o tratamento da veia safena. A técnica consiste na introdução de uma fibra óptica fina dentro da veia doente. A ponta dessa fibra emite um feixe de laser que aquece o sangue e a parede da veia, causando seu fechamento imediato e definitivo.
Uma recente e abrangente meta-análise, que combinou os resultados de 72 estudos clínicos randomizados, comparou o laser com a cirurgia e outras técnicas modernas. As conclusões são muito esclarecedoras para quem busca o melhor tratamento da veia safena.
Laser vs. Cirurgia Convencional: a comparação direta
Os estudos mostram que, no curto e médio prazo (até 3 anos), a eficácia do laser em manter a veia fechada é muito semelhante à da cirurgia convencional. No entanto, o laser oferece vantagens significativas:
- Menos complicações de ferida: O risco de infecção e hematoma é consideravelmente menor com o laser, pois não há grandes incisões.
- Menor dor pós-operatória: Pacientes tratados com laser relatam sentir menos dor e desconforto.
- Recuperação mais rápida: O retorno ao trabalho e às atividades normais é significativamente mais rápido.
- Menor risco de neovascularização: A cirurgia na virilha pode, paradoxalmente, estimular a formação de novos vasinhos anormais (neovascularização), uma complicação menos comum com o laser.
A análise de longo prazo (acima de 5 anos) indicou que a cirurgia pode ter uma taxa de sucesso anatômico (veia continua fechada) ligeiramente superior em alguns estudos. No entanto, é crucial entender que a tecnologia do laser evoluiu. Estudos mais antigos usavam lasers de comprimentos de onda mais baixos, que eram associados a mais dor. O avanço tecnológico é um fator chave no sucesso do tratamento da veia safena.
A importância da tecnologia: Na AngioGold, utilizamos o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm, uma plataforma de última geração. Esse comprimento de onda, combinado com fibras ópticas radiais (que distribuem a energia de forma circular e homogênea), permite um tratamento mais suave e eficaz, com excelente perfil de segurança e conforto para o paciente. Esta evolução tecnológica é fundamental para otimizar os resultados do tratamento da veia safena a laser.
Em resumo, o laser endovenoso se consolidou como um excelente método para o tratamento da veia safena, oferecendo eficácia comparável à cirurgia, mas com um perfil de segurança e recuperação muito superior. A escolha por essa técnica representa um grande passo em direção a um tratamento moderno e centrado no bem-estar do paciente.
Outras opções modernas: Radiofrequência, Cola (Cianoacrilato) e Espuma
Além do laser, o arsenal terapêutico para o tratamento da veia safena inclui outras técnicas inovadoras, cada uma com suas características. A mesma meta-análise que avaliou o laser também comparou essas outras modalidades, fornecendo um panorama claro sobre suas performances.
Radiofrequência (RFA)
A radiofrequência funciona de maneira muito parecida com o laser, utilizando energia térmica para fechar a veia. Em vez de uma fibra óptica, um cateter especial é inserido e sua ponta aquece segmentos da veia em um processo controlado. Os estudos mostram que a RFA tem resultados de eficácia e segurança muito similares aos do laser. A escolha entre laser e radiofrequência muitas vezes se baseia na preferência e experiência do cirurgião, bem como em detalhes anatômicos da veia do paciente. Ambos são excelentes opções para o tratamento da veia safena.
Cola de Cianoacrilato (CAC)
Esta é uma das técnicas mais recentes e promissoras. O procedimento envolve a injeção de uma pequena quantidade de um adesivo médico biocompatível (cianoacrilato) dentro da veia safena, que é então comprimida externamente, fazendo com que suas paredes se colem e a veia se feche. A grande vantagem é ser um método não-térmico e não-tumescente.
- Não-térmico: Elimina o risco de lesão por calor em nervos próximos.
- Não-tumescente: Não requer múltiplas injeções de anestesia ao longo da veia, o que significa muito mais conforto para o paciente durante o procedimento.
A análise dos estudos colocou a cola como uma das melhores opções, com baixíssimas taxas de falha no curto prazo e a menor dor pós-operatória entre todos os métodos. É uma revolução no tratamento da veia safena para pacientes selecionados.
Espuma de Polidocanol (UGFS)
A escleroterapia com espuma guiada por ultrassom (UGFS) é um método consagrado para tratar varizes. Consiste na injeção de um medicamento esclerosante, em forma de espuma, que irrita a parede interna da veia e a faz fechar. Embora seja uma ferramenta valiosa, a meta-análise demonstrou que, quando usada para o tratamento da veia safena troncular (o tronco principal), a espuma tem taxas de falha (recanalização da veia) significativamente mais altas do que a cirurgia, o laser e a radiofrequência. Isso não invalida a espuma, mas a posiciona como uma opção melhor para veias tributárias, varizes residuais ou casos específicos onde as técnicas de ablação não são viáveis. A escolha criteriosa da técnica é o segredo para o sucesso.
A presença de doença venosa também pode ser um fator de piora para condições como o lipedema. Um adequado tratamento da veia safena pode ajudar a aliviar sintomas como peso e inchaço, fazendo parte de uma abordagem integrada de cuidado.

Fatores decisivos: Como escolher o melhor tratamento da veia safena para você?
Com um leque tão vasto de opções, a pergunta final é: qual o melhor tratamento da veia safena? A resposta é: depende. Não existe uma técnica única que seja superior para todos os pacientes em todas as situações. A medicina vascular moderna é baseada na personalização.
A decisão sobre o método ideal é uma parceria entre você e seu cirurgião vascular, baseada em uma análise cuidadosa de múltiplos fatores. Um especialista qualificado irá considerar:
Critérios para a personalização do tratamento
- Anatomia da Veia: O diâmetro, a profundidade e a tortuosidade (se a veia é muito sinuosa) são cruciais. Veias muito grossas podem responder melhor a certas técnicas, enquanto veias muito tortuosas podem dificultar a passagem de cateteres.
- Extensão do Refluxo: O problema está confinado à safena ou se estende para outras veias? O plano de tratamento precisa ser abrangente.
- Histórico Clínico do Paciente: Condições de saúde pré-existentes, alergias e uso de medicamentos podem influenciar a escolha.
- Sintomas e Expectativas: As metas do paciente, sejam elas alívio da dor, melhora estética ou prevenção de complicações, guiam a estratégia. Um atleta pode priorizar uma recuperação ultrarrápida, por exemplo.
- Resultados do Eco-Doppler Vascular: Este exame é o mapa que guia todo o processo. Ele fornece as informações detalhadas sobre o fluxo sanguíneo e a estrutura das veias, sendo indispensável para um planejamento preciso do tratamento da veia safena.
Consulta com o especialista é fundamental: A análise de estudos científicos nos dá uma visão geral da eficácia das técnicas, mas apenas uma avaliação individualizada pode determinar o que é melhor para o seu corpo e sua saúde. O conhecimento e a experiência do cirurgião vascular são seus maiores aliados para navegar pelas opções e alcançar o melhor resultado possível no seu tratamento da veia safena.
Na AngioGold, nosso compromisso é oferecer um diagnóstico preciso e um plano terapêutico que utilize a tecnologia mais adequada para as suas necessidades, visando sempre a segurança, o conforto e a excelência nos resultados. Agende uma consulta e dê o primeiro passo para ter pernas mais saudáveis e uma vida com mais qualidade.



Referências
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