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Tratamento de telangiectasias: o que a ciência mostra sobre Nd:YAG 1064 nm e escleroterapia

Tratamento de telangiectasias é a dúvida de quem se incomoda com os “vasinhos” nas pernas e quer saber o que a ciência realmente mostra. Uma revisão sistemática com metanálise em rede, publicada em 2023 em uma das principais revistas de cirurgia vascular do mundo, comparou diversas técnicas em mais de mil pacientes. Neste artigo, explicamos em linguagem simples como o tratamento de telangiectasias e de veias reticulares é avaliado, o que os números significam e quais cuidados fazem parte de uma decisão segura.

tratamento de telangiectasias: imagem ilustrativa — AngioGold
Imagem ilustrativa sobre laser — AngioGold.

O que são telangiectasias e veias reticulares

As telangiectasias são pequenos vasos dilatados, em geral com menos de 1 mm de diâmetro, que aparecem na pele como fios vermelhos, arroxeados ou azulados, os conhecidos “vasinhos”. Já as veias reticulares são um pouco maiores: costumam medir entre 1 e 3 mm, têm cor azulada e correm logo abaixo da pele, formando um desenho em rede. Na classificação internacional CEAP, ambas pertencem à classe C1, o estágio mais inicial e superficial das doenças venosas crônicas.

Na maior parte das vezes, esses vasos representam uma queixa estética. Mas nem sempre é só isso: algumas pessoas sentem ardor, peso, queimação ou desconforto no fim do dia, e os vasinhos também podem ser a parte visível de um problema mais profundo, como o refluxo em veias maiores. Por isso, o tratamento de telangiectasias deve começar por uma conversa detalhada, um exame físico cuidadoso e, quando indicado, um ultrassom Doppler venoso.

Por que os vasinhos aparecem?

Não existe uma causa única. Predisposição familiar, alterações hormonais (como gestação e uso de hormônios), envelhecimento, longos períodos em pé ou sentado, excesso de peso e histórico de varizes aumentam a chance de eles surgirem. É importante saber que nenhuma técnica impede o aparecimento de novos vasos ao longo da vida. Por isso, o tratamento de telangiectasias busca melhorar o aspecto e os sintomas existentes, e não “eliminar para sempre” a tendência que a pessoa tem de formá-los.

Quando falamos em tratamento de telangiectasias, portanto, falamos de um cuidado que combina técnica, avaliação do conjunto das veias da perna e conversa franca sobre expectativas.

  • Telangiectasias: vasos finos (menos de 1 mm), vermelhos ou arroxeados, na superfície da pele.
  • Veias reticulares: veias azuladas de 1 a 3 mm, logo abaixo da pele.
  • Classificação CEAP: ambas são C1, o grau mais leve da doença venosa crônica.
  • Atenção: podem coexistir com varizes maiores, que precisam ser investigadas.

Observação clínica: vasinhos nas pernas também são comuns em pessoas com lipedema, uma doença do tecido gorduroso que causa aumento desproporcional de volume e dor ao toque. Se esse é o seu caso, conheça mais sobre o lipedema. Nessa situação, o tratamento de telangiectasias precisa ser pensado dentro de um plano mais amplo, e não de forma isolada.

Por que o tratamento de telangiectasias começa pela avaliação

Antes de qualquer procedimento, o angiologista ou cirurgião vascular precisa responder a uma pergunta simples: os vasinhos são isolados ou estão sendo “alimentados” por veias maiores? Muitas vezes existe uma veia de origem com refluxo, por exemplo na veia safena. Se ela não for identificada, o tratamento de telangiectasias pode trazer um resultado limitado, com retorno mais rápido dos vasos. Em outros casos, o problema são as varizes mais calibrosas, que precisam ser tratadas primeiro ou em conjunto.

Quais opções existem hoje

De modo geral, há duas grandes famílias de técnicas. A primeira é a escleroterapia: o médico injeta uma substância (esclerosante) dentro do vaso, que irrita sua parede; o vaso fecha e é gradualmente reabsorvido pelo organismo. Entre os esclerosantes mais usados estão o polidocanol (em solução líquida ou em espuma), o tetradecil sulfato de sódio (STS, em diferentes concentrações) e a glicerina cromada 72%. A segunda família é a energia térmica: o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm emite uma luz que atravessa a pele e atinge o vaso, aquecendo-o até que ele feche.

Cada técnica tem o seu lugar no tratamento de telangiectasias, e a escolha depende do calibre e da cor do vaso, da região da perna, do tipo de pele, dos antecedentes do paciente e de suas preferências. Um ponto de transparência: a revisão científica discutida neste artigo avaliou o Nd:YAG 1064 nm como categoria de tecnologia, e não um aparelho específico de uma marca. Utilizamos o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm, que pertence a essa categoria, mas isso não significa que os números do estudo possam ser atribuídos a um equipamento em particular.

Expectativas realistas

Nenhum procedimento oferece garantia de resultado. O clareamento costuma ser gradual, muitas vezes exige mais de uma sessão e pode ser parcial. Também podem surgir novos vasinhos com o passar do tempo. Conversar sobre tudo isso antes de começar é parte essencial de um tratamento de telangiectasias ético e seguro.

  • A avaliação define se há veias maiores com refluxo por trás dos vasinhos.
  • Escleroterapia e laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm são as principais famílias de técnica.
  • O plano é individual: calibre, cor, localização, pele e histórico contam.
  • Os resultados variam, e novas telangiectasias podem aparecer ao longo da vida.

O que a maior revisão recente sobre o tema analisou

Em 2023, um grupo de pesquisadores liderado por Bontinis publicou no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery uma revisão sistemática com metanálise em rede sobre o tratamento de telangiectasias e veias reticulares dos membros inferiores. O objetivo foi avaliar a eficácia e a segurança das intervenções disponíveis. O trabalho seguiu as diretrizes PRISMA, padrão internacional para esse tipo de pesquisa, e buscou estudos nas bases Scopus, Embase e Google Acadêmico.

Uma metanálise em rede é uma ferramenta estatística que permite comparar vários tratamentos ao mesmo tempo, inclusive aqueles que nunca foram comparados diretamente em um mesmo estudo. Os autores usaram o método bayesiano, que combina os dados de todos os trabalhos para estimar qual intervenção tende a funcionar melhor em cada desfecho. Essa abordagem é especialmente útil para o tratamento de telangiectasias, área em que há muitas opções e poucas comparações diretas entre elas.

O desfecho principal foi o clareamento das telangiectasias e das veias reticulares. Como desfechos secundários, foram analisados efeitos adversos como hiperpigmentação, matting e dor.

Quantos estudos e pacientes entraram

Foram incluídos 19 estudos, sendo 16 ensaios clínicos randomizados e três séries de casos prospectivas, somando 1.356 pacientes e 2.051 procedimentos. Em muitos deles, o soro fisiológico (placebo) serviu de comparação, o que permitiu verificar se cada técnica realmente funciona melhor do que “nada”. Para quem pesquisa o tratamento de telangiectasias, esse volume de dados é relevante, ainda que tenha limitações, como veremos a seguir.

  • Tipo de estudo: revisão sistemática com metanálise em rede bayesiana.
  • Estudos incluídos: 19 (16 randomizados).
  • Pacientes: 1.356, com 2.051 procedimentos.
  • Desfecho principal: clareamento de telangiectasias e veias reticulares.

Limitação importante: os estudos da rede eram pequenos e bastante diferentes entre si (heterogêneos). Isso torna as conclusões úteis, mas não definitivas. Além disso, o texto completo do artigo não é de acesso aberto; este post se baseia no resumo oficial publicado no PubMed.

laser — AngioGold (1)
Conteúdo educativo sobre laser — AngioGold.

Eficácia: o que os resultados mostram sobre Nd:YAG 1064 nm e escleroterapia

O primeiro achado é animador, mas merece contexto: todas as intervenções avaliadas, com exceção do STS 0,5% e do STS 0,25%, apresentaram clareamento estatisticamente superior ao do soro fisiológico. Em outras palavras, a maioria das técnicas disponíveis para o tratamento de telangiectasias e de veias reticulares funciona melhor do que o placebo. Já o STS em concentrações muito baixas não se diferenciou do soro.

O destaque para o Nd:YAG 1064 nm

Os autores fizeram ainda uma metarregressão, levando em conta o tipo de vaso tratado (telangiectasia ou veia reticular). Nessa análise, houve correlação positiva entre o Nd:YAG 1064 nm e o clareamento de telangiectasias (β = 1,38; intervalo de confiança de 95%: 0,56 a 2,14). Em linguagem simples, o sinal positivo e o intervalo que não cruza o zero indicam uma associação favorável e estatisticamente consistente entre essa tecnologia e o clareamento dos vasos mais finos.

Ao explorar melhor os dados, a revisão mostrou que o Nd:YAG 1064 nm foi superior, no clareamento de telangiectasias, a todas as demais intervenções incluídas, exceto à glicerina cromada 72%, com a qual não houve diferença significativa. A conclusão dos autores é que a terapia com Nd:YAG 1064 nm se mostrou superior à escleroterapia por injeção no tratamento de telangiectasias. É por isso que o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm ocupa um lugar de destaque no nosso raciocínio clínico para vasinhos finos, sempre depois da avaliação individual.

E as veias reticulares?

O resumo do estudo destaca a vantagem do Nd:YAG 1064 nm especificamente para telangiectasias. Para veias reticulares, que são mais calibrosas e azuladas, o resumo não aponta a mesma superioridade. Na prática, essas veias costumam ser abordadas com escleroterapia, e a decisão de usar ou não o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm é individual. Isso reforça que o melhor tratamento de telangiectasias para um vasinho fino vermelho não é, necessariamente, o melhor para toda veia visível na perna.

  • Quase todas as intervenções superaram o soro fisiológico (exceto STS 0,5% e 0,25%).
  • Nd:YAG 1064 nm: associação positiva com o clareamento de telangiectasias (β = 1,38; IC 95%: 0,56 a 2,14).
  • Nd:YAG 1064 nm superou todas as outras opções, exceto a glicerina cromada 72%.
  • Para veias reticulares, o resumo não demonstra a mesma vantagem.

Cuidado na interpretação: “superior” em uma metanálise significa melhor desempenho médio no clareamento, e não que o resultado será idêntico em todas as pessoas. Tipo de pele, calibre, profundidade e localização do vaso influenciam. Quem pesquisa o tratamento de telangiectasias deve lembrar que esses dados não substituem a avaliação com o médico.

Segurança: hiperpigmentação, matting e dor

Eficácia é só metade da conversa. Qualquer tratamento de telangiectasias precisa ser avaliado também pelos efeitos indesejados, e aqui a revisão trouxe uma mensagem clara: houve uma relação proporcional entre a potência do esclerosante e a ocorrência de efeitos adversos. Quanto mais “forte” a solução, maior a chance de problemas.

Hiperpigmentação

A hiperpigmentação é o escurecimento da pele no trajeto do vaso tratado, causado pelo depósito de pigmento derivado do sangue. Ela é um dos efeitos mais discutidos no tratamento de telangiectasias e, embora costume melhorar com o tempo, pode ser prolongada em alguns casos. Na rede analisada, o STS 0,25% aumentou o risco de hiperpigmentação em comparação com todas as outras intervenções, exceto o STS 0,5% e o polidocanol 1%. O resultado pode parecer contraintuitivo, pois a concentração é baixa, e mostra como dados de estudos pequenos devem ser lidos com cautela.

Matting

O matting (telangiectasia de reaparecimento) é o surgimento de uma malha de vasinhos novos e muito finos perto da área tratada. A glicerina cromada 72% reduziu o risco de matting em comparação com a espuma de polidocanol (razão de risco [RR] 0,14; IC 95%: 0,02 a 0,80) e com o STS (RR 0,31; IC 95%: 0,07 a 0,92). Os intervalos são amplos, o que sinaliza incerteza, mas apontam na mesma direção: no tratamento de telangiectasias com esclerosantes, soluções mais suaves tendem a causar menos esse efeito.

Dor

Quanto à dor durante e após o procedimento, não houve diferenças estatisticamente significativas entre as intervenções. Ou seja, a escolha da técnica não deve se basear na expectativa de “doer menos”: a sensação varia de pessoa para pessoa e também depende da técnica e da experiência de quem executa.

O que isso significa na prática

Os autores concluem que migrar de soluções detergentes muito potentes para esclerosantes igualmente eficazes, porém mais suaves, poderia reduzir eventos adversos indesejados. Esse é um princípio que orienta a escolha do tratamento de telangiectasias: usar a menor intensidade capaz de produzir o resultado esperado. Além do que o estudo mediu, qualquer técnica, inclusive o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm, tem riscos possíveis, como vermelhidão, edema, crostas, queimadura superficial e alterações de cor da pele, que são discutidos individualmente antes do procedimento.

  • Maior potência do esclerosante tende a acompanhar mais efeitos adversos.
  • STS 0,25%: mais hiperpigmentação do que a maioria das opções.
  • Glicerina cromada 72%: menos matting do que espuma de polidocanol e STS.
  • Dor: sem diferença significativa entre as técnicas.

Segurança individual: gestação, histórico de trombose, infecções ativas, uso de certos medicamentos, tipo de pele e exposição solar recente são fatores avaliados antes de indicar qualquer técnica. Eles influenciam diretamente a segurança do tratamento de telangiectasias. Nenhum procedimento é livre de riscos, e o consentimento informado faz parte do cuidado.

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Conteúdo educativo sobre laser — AngioGold.

Como decidir na prática e quando procurar um especialista

Com base nessas evidências, como o médico escolhe? Não existe fórmula única, mas alguns princípios ajudam a organizar o raciocínio no tratamento de telangiectasias.

Fatores que entram na decisão

Para vasinhos muito finos e avermelhados, o laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm costuma ser uma opção a considerar, em linha com os dados da metanálise. Para veias reticulares e vasos mais calibrosos, a escleroterapia segue sendo muito utilizada, e em alguns casos as técnicas podem ser combinadas. Em todos os cenários, a escolha do esclerosante (polidocanol, STS ou glicerina cromada) leva em conta o equilíbrio entre eficácia e efeitos adversos. Assim, o tratamento de telangiectasias é sempre personalizado.

  • Calibre, cor e profundidade do vaso.
  • Região da perna e presença de veias de alimentação com refluxo.
  • Tipo de pele e exposição solar.
  • Histórico de saúde, medicamentos e gestação.
  • Expectativas e preferências do paciente.

Cuidados antes e depois

As orientações variam conforme a técnica, mas, em geral, incluem evitar exposição solar intensa na área tratada, usar protetor solar, seguir as recomendações sobre meias de compressão e atividade física e informar ao médico todos os medicamentos em uso. Seguir essas orientações contribui para um tratamento de telangiectasias mais seguro e ajuda a reduzir o risco de manchas.

Sinais de alerta

Procure atendimento rapidamente se, após o tratamento de telangiectasias ou de qualquer procedimento venoso, surgir dor intensa e súbita, inchaço em apenas uma perna, vermelhidão que se espalha, febre, feridas que não cicatrizam ou falta de ar.

Perguntas frequentes

O tratamento de telangiectasias é só estético? Nem sempre. Em muitas pessoas o objetivo é estético, mas há quem tenha ardor, peso ou desconforto. Além disso, a avaliação pode revelar veias maiores doentes que merecem cuidado próprio.

Quantas sessões são necessárias? Depende da quantidade e do calibre dos vasos e da resposta de cada pessoa. É comum que o tratamento de telangiectasias exija mais de uma sessão, com intervalos definidos pelo médico.

Os vasinhos voltam? Os vasos tratados e fechados tendem a ser reabsorvidos, mas novos vasinhos podem surgir ao longo da vida, principalmente quando há predisposição familiar ou hormonal.

O laser Vydence ZYE® Nd:YAG 1064 nm dói? A sensação costuma ser descrita como calor ou pequenas picadas, mas varia entre as pessoas. O estudo analisado não encontrou diferença significativa de dor entre as técnicas comparadas.

Conteúdo informativo: este texto foi elaborado sob responsabilidade do Dr. Carlos Eduardo Jorge (CRM-MG 38.943), angiologista e cirurgião vascular, e não substitui consulta médica. Se você mora em Belo Horizonte e quer entender qual é o caminho mais adequado para o seu caso, procure uma avaliação especializada. O tratamento de telangiectasias deve ser sempre indicado após exame clínico e, quando necessário, ultrassom Doppler venoso.

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Referências

Bontinis V, Bontinis A, Koutsoumpelis A, Claridge M, Chorti A, Rafailidis V, Giannopoulos A, Ktenidis K. Interventions For the Treatment of Lower Limb Telangiectasias and Reticular Veins: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2023;66(4):560-576.

Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.

Eklöf B, Rutherford RB, Bergan JJ, et al. Revision of the CEAP classification for chronic venous disorders: consensus statement. J Vasc Surg. 2004;40(6):1248-1252.

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