Comer e nutrir são dois atos completamente diferentes. O Brasil come mais do que nunca — e adoece mais do que nunca. 55,7% dos adultos brasileiros estão com excesso de peso e 19,8% são obesos. Como chegamos aqui, se estamos comendo mais frutas, praticando mais atividade física e bebendo menos refrigerante do que em 2007?

Como chegamos aqui

Nas últimas décadas, o ato de comer foi dissociado da sua função primordial: nutrir o corpo. A culinária, que por séculos transmitia saúde e cultura nas refeições em família, foi substituída pelos ultraprocessados — alimentos projetados para serem irresistíveis mas nutricionalmente vazios.

A pirâmide alimentar oficial recomendou por décadas cereais, arroz, macarrão e pães como base da alimentação — e restringiu carnes e alimentos de origem animal. Resultado: alta ingestão calórica com baixa densidade nutricional, criando um ciclo de fome constante e ganho de peso progressivo.

O problema da orientação equivocada

No Brasil, estudos apontam que:

  • 7,7% da população adulta tem diabetes
  • 24,7% tem hipertensão
  • 75,2% dos diabéticos têm excesso de peso
  • 74,4% dos hipertensos têm excesso de peso

E ainda assim, o consumo de frutas cresceu, a prática de atividade física aumentou e o consumo de refrigerantes caiu. Por que os números de obesidade continuam subindo?

A resposta: exercício físico tem benefícios enormes para a saúde, mas é ineficaz para emagrecimento isolado. A obesidade é um distúrbio hormonal — e o principal hormônio envolvido é a insulina. O que mais eleva a insulina são os carboidratos refinados e o açúcar, não a gordura animal.

Nutrir, não apenas comer

A diferença entre comer e nutrir está na qualidade e na densidade nutricional dos alimentos. Alimentos que nutrem de verdade:

  • Carnes (magras ou gordas): todos os aminoácidos essenciais, ferro heme, vitaminas B12 e D
  • Ovos: um dos alimentos mais completos da natureza
  • Laticínios integrais: cálcio, fósforo, vitaminas A e D
  • Vegetais folhosos: fibras, micronutrientes, antioxidantes
  • Peixes gordurosos: ômega-3, DHA, vitamina D

Alimentos que apenas “enchem o estômago”:

  • Pães, massas, biscoitos, cereais matinais
  • Sucos e frutas em excesso
  • Ultraprocessados “zero gordura” e “light”
  • Qualquer produto com açúcar adicionado

A nutrição que faz diferença

Na Nutrição Clínica da AngioGold, o objetivo não é emagrecer por emagrecer — é ensinar o paciente a nutrir o corpo com os alimentos corretos, sem passar fome e sem depender de suplementos desnecessários. Quando a nutrição está correta, o peso adequado e a saúde vêm como consequência.

Referências: MONTANARI, Massimo. Comida como Cultura. Editora Senac São Paulo, 2008. | IBGE/PNS. Pesquisa Nacional de Saúde, 2013.

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